diploma de jornalista
Julho 10, 2009
Dia 17 de junho, o STF julgou se jornalista precisava de diploma para exercer a profissão. Oito ministros disseram que não. Apenas um bateu o pé. O debate já é velho, mas só agora a resposta é definitiva. O Supremo diz que a medida vai dar o direito a liberdade de expressão. Afinal, o que é liberdade de expressão? Eu também tenho direito a saúde e não pretendo virar médica pra poder ser internada num hospital. O que se fala no Brasil é simples: a educação não vale nada. Se está dizendo que ter estudado ou não, tanto faz.
Muita gente alega que o avô da tia madrinha da prima era jornalista sem ter posto nunca um pé numa universidade. Pois bem, tomemos o médico novamente como exemplo. Antes também não havia faculdade de medicina. Existiam os curandeiros, até que se formalizou a profissão, o ensino foi passado adiante e tchan tchan… a universidade está aí! E ninguém mais contesta se é preciso passar por essa instituição. A não obrigatoriedade do diploma de jornalista é um regresso da educação.
Agora, se não é mais a universidade que diz quem é apto para dar informação de qualidade ao público, quem dirá? Na visão dos excelentíssimos ministros, as empresas. Ora! Mas nada melhor que o mercado, que o capitalismo selvagem para resguardar os direitos trabalhistas.
A vez de conjugar certo
Julho 4, 2009
De sobretudo preto com botas da mesma cor, ela passou, sem querer ser notada, por aquela rota inevitável para chegar ao estacionamento. Com o olhar baixo, procurou, por impulso ou rotina, aquele conhecido que já era símbolo do lugar. E encontrou, além dos habituais sonhos em cartaz colados na parede, toda mesma gente de anos. Pessoas que já viraram rostos familhares, mas cujos nomes são desconhecidos e a falta de aceno se dá pela mera burocracia de ainda não terem sido apresentadas formalmente. Fora o povo de sempre, havia ele. Mesmo ele estando detrás de um óculos, os olhos, reflexos do entusiasmo que ela sempre admirou – e no fundo, bem no fundo até invejava -, mostravam dessa vez outro sentimento. Ela não parou, não perguntou nada. Não cumprimentou, fez a melhor pose de antipática ou reservada que pôde e seguiu. O salto da bota batendo no chão. Mil pensamentos martelando na cabeça. Saiu constrangida. Não deveria ter visto nada. Tinha que ter vindo de ônibus. E, a partir daí, o silêncio se instaurou. Outra terceira pessoa do singular feminino entrava na história. Ela, querendo que o sobretudo cobrisse até a cara, bateu em retirada. Estava na hora de dar lugar a uma que formasse finalmente com ele uma primeira pessoa do plural.
Ando sumida, é verdade. Talvez porque minhas neuras tenham me abandonado. Ou, mais provavelmente, eu as abandonei. Neura é coisa de vagabundo – quem não tem nada pra fazer começa a pensar demais, daí… dá merda. Ou blogs, como é meu caso.
Muito trabalho, faculdade em final de semestre, movimento estudantil, encontros e despedidas… Esses são alguns dos motivos da meu sumiço. Em breve, colocarei um texto sobre o diploma de jornalismo, o que não poderia faltar aqui.
Um beijo a aqueles quatro fiéis, que mesmo depois de mais de um mês sem postar nada continuam entrando todo dia. Vocês são estranhos. E eu fico na dúvida entre gostar ou ter medo de vocês. Viva o mundo cibernético! Um bando de anônimos buscando algum tipo de comunicação, que poderia ser de duplo fluxo, mas acaba vindo de somente um sentido. E quais são os motivos pra não haver este intercâmbio? Acomodação, timidez? Sei lá. Enquanto o meu “eu lírico” (que chique!) se expõe num www, vocês continuam aí, compartilhando qualquer coisa, buscando algo que eu não faço a mínima ideia do que seja. E, na verdade, pouco importa. De repente o mundo sempre foi assim – gente jogando palavras no ar e alguns ouvidos sem nome captando ruídos. A única diferença é que agora tem uma plataforma pra isso.
Então, de novo, um beijo. Um beijo virtual aos meus quatro estranhos, que são por pouco quase meus queridos.
quem sou eu?
Maio 26, 2009
Vivo como quem convoca à guerra. Ou você se disponibiliza e age como eu mando ou sai da frente, senão minha tropa de entusiastas te atropela. Para se unir à minha nova potência, nem precisa ser daqui. Eu mesma não sou. É necessário saber encher o peito e gritar com orgulho palavras como “coragem”. Não se preocupe se você não ganhar popularidade, todos os heróis da história ganham primeiro desprezo. Mas nós vamos mostrar nosso valor. E falando em valor, viva nosso primeiro grande feito: déficit zero. Se você se juntar a mim, eu posso negociar um abrigo de até 400 mil reais. Mas… atenção! Não tolero quem revela segredos de Estado. Escutar viúvas chorando não faz parte do meu plano de combate. Porque aqui é tudo verdade. E quem quiser contar outra história comete crime de traição. Menos um secretário, menos um combatente. Agora, até nossos aliados, ditos democráticos, não respeitam nosso regime. Eu recruto até marido, mas se me contrariar, tiro da linha de frente. Eu sou general, se você quiser relações diplomáticas, transfira-se para outro distrito.
Enquanto o batalhão estiver sob o meu comando, a palavra é ordem. E a ordem é obediência.
Basta de esconde-esconde. Chega de respostas prontas, de sacadas inteligentes, de joguinho de palavras. Eu te quero cru, tira o disfarce, põe fora as entrelinhas. Porque hoje eu to sacando todas as vaidades de mim. Estou quase natural, se não fosse esse sorriso sacana que não sai da minha boca.
Eu escrevo em forma de carta pra ninguém com uma assinatura não tão anônima. Falo sobre o nada e desenvolvo até lugar nenhum. Enquanto eu busco o discurso sem propósito, tu insiste em achar lógica. Quem é o bobo?
Breve história de uma antipática
Abril 16, 2009
Eu não dialogo.
Eu falo comigo mesma em forma de conversa pública e tu acha que tá participando.
Falsa comunista sou.
Eu engano e não me divido com ninguém.
Qual é a vida que existe atrás dessa rotina trabalho-casa, casa-trabalho? O que acontece de tão espetacular que nos prende aqui, que nos faz ansiosos pelo amanhã que é (aparentemente) igual ao hoje? Por que surgem tantas emoções diferentes em dias tão parecidos? O que faz um dia ficar completamente distinto do outro quando se tem as mesmas atividades sempre? Como consigo continuar achando graça e me surpreendendo? Por que não consigo nunca ficar velha? Há alguma explicação para o fato de se manter entusiasmado depois de se comprovar que tudo é um caos? É normal saber que a vida é um absurdo e ainda assim querer mais?
Eu
não
sei.
Tenho que ler livros que são da feira do livro do ano retrasado. Decorar a minha passagem que vai ser gravada na terça. Anotar na agenda um monte de coisas que só ficarão como notas mesmo. Porque agora não importa todos esses compromissos, nem a minha luta contra várias faltas de consciência, nem se vai sobrar comida pra amanhã. Porque hoje tudo que é terreno não me incomoda. Eu acabei um namoro e uma amizade. E doeu naquele instante, mas to tão desapegada que já nem chega a formar ferida mais. O fim da amizade ardeu por umas boas semanas, porque não é todo dia que se perde um amigo. O namoro chateou por cinco minutos. E hoje à noite eu vou me enganar dançando e dizendo que tanto faz. E como eu adoro essa agitação antes de cair na real.