Esbarro em memorias velhas. Cumprimento meu passado. Brinco de Freud. Chegam as conexoes com o presente. Tento sair da sessao de analise sem sucesso. O espelho me encara em tom desafiante. Toca o telefone. Salva pelo gongo!
Ele já tá acostumado com a sua mimada. Quando ela poe uma coisa na cabeca, nao há quem lhe tire. Agora ela deu pra andar com ideias de compartir tudo, inclusive – e principalmente – ele. Ele nao quer dividir nada com ninguem, ela é a única com quem ele se relaciona. Ela briga, bate o pé, faz cara de emburrada. Ele, fechado, em um lugar seguro, responde que ta bem comodo e nao vai sair por ai distribuindo amor e felicidade. Ela grita: “mas tu é meu, meu, faz o que eu mando!”. Ele se irrita e bate forte em seu peito. Ela se assusta e diz baixinho: “Calma, coracao, calma. A gente vai ir com cuidado e tempo, mas ta na hora de se abrir”.
Me apego a frases curtas, sintéticas.Sinto a necessidade de explicacoes. Mas nao tenho a paciencia ou a coragem para encara-las de verdade. Respondo de qualquer jeito pra apaziguar essas perguntas que teimam em explodir. Fujo do profundo. Olho com desdém pra quem busca sua essencia. Porque eu nao quero escutar. Tento calar as vozes cheias de dúvidas da minha cabeca com diversao. Saio pra noite, vejo tres filmes em seguida, devoro um livro, tomo o dobro do tempo no super. Mas elas estao sempre la, com seus malditos pontos de interrogacao, alardeando uma pessoa que nao quero encontrar: eu.
Sorriso bonito. Papo bom. Sabe beijar. Gostei. Acordei no dia seguinte ainda pensando no sorriso. Pronto. Me apaixonei. Passou uma semana. Nos encontramos. Por que ele sempre se veste com marca? Meio materialista. Essa cara de debochado já tá me enchendo o saco. Bebeu demais. Falou merda. Perdeu o charme. Tchau.
gira mundo, gira
outubro 2, 2009
Através de uma tela de computador ou de um cabo de telefone, tento acompanhar a vida que segue alguns vários quilometros daqui. As vezes consigo equilibrar as duas tarefas: me manter informada sobre os acontecimentos de lá e fazer do estrangeiro minha nova casa. Mas a matemática nao é minha amiga e a divisao acaba sempre mal feita. E me pego surpresa, de tempos em tempos, quando vejo uma foto da minha irma com cara de adolescente já, quando nao acho mais tao ruim minha comida e quando noto que magoei gente naquelas várias vezes que deixei pra escrever a resposta depois e esqueci.
Sem intencao, me alieno de Porto Alegre. Me lembro das primeiras noticias que recebi do sul logo que cheguei e sempre pensava que as decisoes teriam sido diferentes se eu tivesse continuado lá. Agora me desprendo da responsabilidade de achar que eu podia interferir em tudo. Perco uma influencia que nunca tive. E, assim, viro uma pessoa muito mais livre.
Gira mundo, gira.
ainda na secao “pais”
setembro 27, 2009
Uma música bacana pra um domingo chuvoso.
E, pais, voces foram muito alem do só “basta”.
para mis padres S2
setembro 27, 2009
Tus hijos no son tus hijos
son hijos e hijas de la vida
deseosa de si misma.
No vienen de ti, sino a traves de ti
y aunque estén contigo
no te pertenecen.
Puedes darles tu amor,
pero no tus pensamientos, pues,
ellos tienen sus propios pensamientos.
Puedes abrigar sus cuerpos,
pero no sus almas, porque ellas,
viven en la casa del mañana,
que no puedes visitar
ni siquiera en sueños.
Puedes esforzarte en ser como ellos,
pero no procures hacerlos semejantes a ti
porque la vida no retrocede,
ni se detiene en el ayer.
Tú eres el arco del cual, tus hijos
como flechas vivas son lanzados.
Deja que la inclinacion
en tu mano de arquero
sea para la felicidad.
Kahlil Gibran
Nao chegue muito perto. Eu nao posso respirar assim. Eu só quero alguém que de pra chamar na sexta-feira, alguém pra comer uma pizza no domingo e dar umas risadas sobre coisas bobas da vida. Eu despenso gente que queira compreender todo meu ser, gente que procura entender o sentido disso tudo, gente complicada.
Meu pedido é simples. Eu quero uma pessoa normal no ponto. Sacou?
Até agora eu estava sendo amável e querida. Esforçando ao máximo para ser a gentileza em pessoa e conquistar muitos fiéis. Mas hoje a noite me dei conta que nao sou Jesus – graças a deus (literalmente)! Entao, foda-se todo o disfarce. Joguei fora o artificial que me dava aparencia de amigável. Ufa! Me sinto muito mais leve sem o peso da hipocrisia.