Dezembro 31, 2008

Me chacoalha. Me fala que nenhum dos meus planos vai poder se realizar porque eu dependo da vontade das pessoas. E nas pessoas não dá pra confiar. Me desanima pra ver se eu desisto. Porque eu continuo tão ingênua como quando eu começei. Me joga fatos na cara, cospe na minha teoria de que tudo pode ser consertado. Discute comigo, prova que é inaplicável.

E, depois, me dá um sorriso, me chama de louca e diz que tá nessa.

Dezembro 31, 2008

Levanta da cama como um soco no estômago – tem que acordar, não adianta. Outro dia igual: talvez pegue algum cinema, adie alguma leitura, chame um amigo pra beber. Tardes parecidas me perseguem, se repetem. E, no ano novo, vamos olhar pros parentes e dizer surpresos: “Mas como passou rápido!”. Porque toda semana foi a mesma coisa, a cada despertar a mesma sensação. A rotina se alternando em expectativas que se limitavam ao que teríamos no almoço. Uma vida comum, sem grandes encontros. Uma ou outra história pra lembrar, completamente indiferente aos nossos atos, que por uma coincidência nos tiveram como cúplices. Que 2009 seja um ano menos banal, com emoções de verdade, com ansiedade que mata, com aflições que nos provem vivos, com alegrias que nos mostrem que o caminho está certo, com erros que nos tornem menos presunçosos. Que 2009 traga o que sempre queremos, mas não acreditamos: paz e felicidade. E que, enfim, nos faça melhores. Seja lá o que isso signifique.

Feliz ano novo!

Dezembro 31, 2008

Me contesta, me diz que eu to errada, grita, xinga, fica puto, me manda calar a boca. Mas, por favor, não me ignora.

Direito de resposta III

Dezembro 16, 2008

Eu adoro quando dá pau.

hahahahah… Bom, a discussão de hoje é sobre o post “um pensamento medíocre de uma jovem sobre maturidade”. E meus críticos, sempre amavelmente presentes, são Filipe e Régis.

  1. Régis Marques Says:
    Dezembro 15, 2008 at 12:53 pm eExatamente! Portas abertas demais permitem a entrada de qualquer um… e como o mundo é lugar repleto de gente qualquer, melhor ser fechado, colocar uma roleta, só permitir a entrada de poucos seletos.

    Quanto mais fascinante a imensidão interior, menor o número de dignos de conhecê-la. Um interior especial só pode caber a sujeitos especiais.

    Aos outros, apenas a visão exterior. Portas fechadas para a maioria!

  2. filipe Says:
    Dezembro 15, 2008 at 2:56 pm eserá que eu nunca vou conseguir concordar com um comentário do régis? rs

    “Poucos seletos”, “número de dignos”, “sujeitos especiais”… Não consigo entender o porquê de tanta segmentação. Vivemos em mundo partido justamente porque não existe o compartilhar. Porque existem genialidades guardadas em gaiolas. Os chamados intelectuais publicam seus livros numa linguagem cada vez mais hermética para que, de fato, restrinjam o conhecimento a um “Número reduzido de dignos”.

    Não entendo mesmo. Talvez seja receio de, ao compartilhar o que temos de bom, oferecer a oportunidade que outros sejam tão especiais como nós ou até mesmo nos superem. Talvez seja uma forma de garantir que cada macaco se acostume e não arrisque fugir de seu galho.

    Desculpa estar discutindo por aqui de novo, mas é que eu não me aguento.

  3. Régis Marques Says:
    Dezembro 15, 2008 at 5:40 pm eAh, mas eu não disse que os seletos e dignos estão nesse patamar por valorosa formação, por alguma característica prática fantástica, ou por acesso a seja lá o que for.

    Fiz referência aos mais simples, gente de coração puro e dignas de confiança. Neste caso específico, são as únicas características que destaco como especiais e raras.

    Se já são poucos os de boa formação, menos ainda os de bom coração. E só estes últimos merecem mesmo conhecer o interior de pessoas especiais.

vivos mortos

Dezembro 14, 2008

Não é preciso que a pessoa seja muito ciente. Ela pode estar um pouco fora da realidade, sem ler jornais há três semanas e só fantasiando na literatura. Pode não gostar de filmes de guerra e acreditar na força do pensamento positivo. Pode ter teorias malucas que se desfaçam com alguns dados da última pesquisa, que ela não sabia que existia. Pode entender de Maquiavel, mas nem saber qual deputado roubou uns milhões semana passada. Pode viver num mundo à parte.

Eu não me incomodo mais com gente que não quer saber. Se eles se esqueceram do mundo, o mundo também se esqueceu deles. E essa é a minha pequena vingança.

Por que com o tempo as conversas tornam-se mais superficiais? Um encontro de amigos e só assuntos banais. A maturidade nos faz ficarmos mais resguardados, sem tanta emoção pra compartilhar. E, agora, pensando bem, seria a timidez uma forma natural de proteção? Mas se proteger de quem? E por quê? Não é possível que a experiência nos mostre que o melhor mesmo é guardar pra si todo nosso interior.

A gente faz tese de doutorado complicadíssima pra simplificar uma questão. O que buscamos afinal? A memória estaria aí pra nos mostrar que o que realmente interessa pra outros seres seria apenas ciência? Divagações sobre sentimento, entusiasmo e alegria, sentimentos devem ficar conosco, sozinhos? Deveríamos nascer fechados e aprender ao longo da vida a ir nos abrindo, nos mostrando. Mas não. A ordem é não se comprometer. Então, é melhor manter toda a imensidão particular no indivíduo?

Dezembro 10, 2008

Uma carta de amor. Rabiscos impressos em incertezas. Coração batendo forte enquanto foge depois da entrega. Arrependimento e orgulho se confundindo – de novo. E agora? O mais romântico é não ter certeza.

Dezembro 9, 2008

Chega de moral azeda. Daquela que nos impede de fazer por medo do julgamento alheio.  Que seja feita uma vida baseada no prazer: estou aqui porque quero e gosto. Basta de relações burocráticas! Antes a antipatia do que a hipocrisia.

amores de rotina

Dezembro 5, 2008

Quinze minutos. Esse é o tempo que tu tem pra fazer eu me apaixonar, enlouquecer e me decepcionar. Porque amores eternos não fazem parte dos meus planos. Quero algo que arrase e devore e consuma e queira mais e não possa mais e exploda e termine e não deixe mais nada. Quero da paixão uma fuga da realidade, um portal pruma loucura que me prove viva. Mas não quero amores que dividem camas por 20 anos. Amores que combinem hora e data. Amores marcados, não. Não comigo.

vira vilão

Dezembro 5, 2008

Agora que já passou a fase da conquista, que tu é o super-homem, sempre bem-humorado, disposto a ajudar, compreensivo, charmoso e apresentável à família e amigos, agora tu mostra quem tu é. De verdade. Quero um lado bem podre, um cara nojento, que bebe demais, fala demais, chinga demais, esnoba demais, mente demais. Quero, assim, que tu mostre o lado ruim de ficar viciada em ti. Pra eu ter motivo pra te largar, pra contar pra todo mundo e todo mundo me apoiar. Quero uma razão bem hipócrita que apareça teu lado mais humano e mais indecente. Porque os mocinhos já não me interessam.