até.
Julho 16, 2009
Estou indo embora. Mais uma vez. Pra longe. Numa distância não tão emocional como das tantas outras vezes que eu fugi. Agora nós vamos poder medir em algo mais real, como quilômetros. Há algo em mim que nunca me deixa ficar. Eu até gostaria de ser daquele tipo de pessoa que cria raízes, que acha um lugar onde possa chamar de seu. Mas por algum motivo que ainda não descobri qual ou por que, fico trocando a rota. Estabilidade nunca foi uma palavra que me atraiu. Não consigo sair do provisório, pra ver aonde todo esse caos que existe fora e dentro de mim me leva. Que seja prum lugar bonito, onde haja pessoas de boa fé. E mesmo que seja, só tenho uma certeza: não é lá que fico. Não é em local nenhum. Porque estou em todos lugares, com todo mundo e com ninguém e em lugar nenhum. Não me acho aqui, nem lá. Porque, no fundo, estar perdida no meu próprio corpo me faz viver e querer mais. E da ambição de achar que posso abraçar o mundo inteiro, corro até o próximo ponto de partida. “Ali – me convenço – estão as respostas”. Mas só encontro mais perguntas. Talvez a graça de toda essa confusão sejam mesmo as dúvidas.
Entre idas e vindas: estou eu. Alegremente desencontrada.
teatro diário
Julho 16, 2009
Não há mais bilheteria, nem é preciso decorar falas. Agora é tudo no improviso, até o figurino. Não há tempo para ensaios porque paramos com o faz-de-conta. A realidade não só tomou conta do texto como das nossas cabeças. A plateia troca de lugar com o palco e todos repetem o juramento de só expor a verdade, sem julgamento, com imparcialidade. Mas as intonações – ao contrário dos atores – não mentem: variam conforme a crença, o humor, o ego.
Mas não tem problema se acaso algo saia errado. Há sempre uma segunda temporada.
férias
Julho 14, 2009
Piso no freio. Tempo livre: interpreto literalmente. Rua trocada por sofá. Celular perdido em algum cômodo da casa. Ligações idem. Desligo o computador da tomada. E eu também.
diploma de jornalista
Julho 10, 2009
Dia 17 de junho, o STF julgou se jornalista precisava de diploma para exercer a profissão. Oito ministros disseram que não. Apenas um bateu o pé. O debate já é velho, mas só agora a resposta é definitiva. O Supremo diz que a medida vai dar o direito a liberdade de expressão. Afinal, o que é liberdade de expressão? Eu também tenho direito a saúde e não pretendo virar médica pra poder ser internada num hospital. O que se fala no Brasil é simples: a educação não vale nada. Se está dizendo que ter estudado ou não, tanto faz.
Muita gente alega que o avô da tia madrinha da prima era jornalista sem ter posto nunca um pé numa universidade. Pois bem, tomemos o médico novamente como exemplo. Antes também não havia faculdade de medicina. Existiam os curandeiros, até que se formalizou a profissão, o ensino foi passado adiante e tchan tchan… a universidade está aí! E ninguém mais contesta se é preciso passar por essa instituição. A não obrigatoriedade do diploma de jornalista é um regresso da educação.
Agora, se não é mais a universidade que diz quem é apto para dar informação de qualidade ao público, quem dirá? Na visão dos excelentíssimos ministros, as empresas. Ora! Mas nada melhor que o mercado, que o capitalismo selvagem para resguardar os direitos trabalhistas.
A vez de conjugar certo
Julho 4, 2009
De sobretudo preto com botas da mesma cor, ela passou, sem querer ser notada, por aquela rota inevitável para chegar ao estacionamento. Com o olhar baixo, procurou, por impulso ou rotina, aquele conhecido que já era símbolo do lugar. E encontrou, além dos habituais sonhos em cartaz colados na parede, toda mesma gente de anos. Pessoas que já viraram rostos familhares, mas cujos nomes são desconhecidos e a falta de aceno se dá pela mera burocracia de ainda não terem sido apresentadas formalmente. Fora o povo de sempre, havia ele. Mesmo ele estando detrás de um óculos, os olhos, reflexos do entusiasmo que ela sempre admirou – e no fundo, bem no fundo até invejava -, mostravam dessa vez outro sentimento. Ela não parou, não perguntou nada. Não cumprimentou, fez a melhor pose de antipática ou reservada que pôde e seguiu. O salto da bota batendo no chão. Mil pensamentos martelando na cabeça. Saiu constrangida. Não deveria ter visto nada. Tinha que ter vindo de ônibus. E, a partir daí, o silêncio se instaurou. Outra terceira pessoa do singular feminino entrava na história. Ela, querendo que o sobretudo cobrisse até a cara, bateu em retirada. Estava na hora de dar lugar a uma que formasse finalmente com ele uma primeira pessoa do plural.
Ando sumida, é verdade. Talvez porque minhas neuras tenham me abandonado. Ou, mais provavelmente, eu as abandonei. Neura é coisa de vagabundo – quem não tem nada pra fazer começa a pensar demais, daí… dá merda. Ou blogs, como é meu caso.
Muito trabalho, faculdade em final de semestre, movimento estudantil, encontros e despedidas… Esses são alguns dos motivos da meu sumiço. Em breve, colocarei um texto sobre o diploma de jornalismo, o que não poderia faltar aqui.
Um beijo a aqueles quatro fiéis, que mesmo depois de mais de um mês sem postar nada continuam entrando todo dia. Vocês são estranhos. E eu fico na dúvida entre gostar ou ter medo de vocês. Viva o mundo cibernético! Um bando de anônimos buscando algum tipo de comunicação, que poderia ser de duplo fluxo, mas acaba vindo de somente um sentido. E quais são os motivos pra não haver este intercâmbio? Acomodação, timidez? Sei lá. Enquanto o meu “eu lírico” (que chique!) se expõe num www, vocês continuam aí, compartilhando qualquer coisa, buscando algo que eu não faço a mínima ideia do que seja. E, na verdade, pouco importa. De repente o mundo sempre foi assim – gente jogando palavras no ar e alguns ouvidos sem nome captando ruídos. A única diferença é que agora tem uma plataforma pra isso.
Então, de novo, um beijo. Um beijo virtual aos meus quatro estranhos, que são por pouco quase meus queridos.