Novembro 27, 2009

Me apego a frases curtas, sintéticas.Sinto a necessidade de explicacoes. Mas nao tenho a paciencia ou a coragem para encara-las de verdade. Respondo de qualquer jeito pra apaziguar essas perguntas que teimam em explodir. Fujo do profundo. Olho com desdém pra quem busca sua essencia. Porque eu nao quero escutar. Tento calar as vozes cheias de dúvidas da minha cabeca com diversao. Saio pra noite, vejo tres filmes em seguida, devoro um livro, tomo o dobro do tempo no super. Mas elas estao sempre la, com seus malditos pontos de interrogacao, alardeando uma pessoa que nao quero encontrar: eu.

Outubro 5, 2009

Eu cresci. Espichei na altura e no salto. Mas minha cabeca continua nas nuvens.

Outubro 5, 2009

Sorriso bonito. Papo bom. Sabe beijar. Gostei. Acordei no dia seguinte ainda pensando no sorriso. Pronto. Me apaixonei.  Passou uma semana. Nos encontramos. Por que ele sempre se veste com marca?  Meio materialista. Essa cara de debochado já tá me enchendo o saco.  Bebeu demais. Falou merda. Perdeu o charme. Tchau.

gira mundo, gira

Outubro 2, 2009

Através de uma tela de computador ou de um cabo de telefone, tento acompanhar a vida que segue alguns vários quilometros daqui. As vezes consigo equilibrar as duas tarefas: me manter informada sobre os acontecimentos de lá e fazer do estrangeiro minha nova casa. Mas a matemática nao é minha amiga e a divisao acaba sempre mal feita. E me pego surpresa, de tempos em tempos, quando vejo uma foto da minha irma com cara de adolescente já, quando nao acho mais tao ruim minha comida e quando noto que magoei gente naquelas várias vezes que deixei pra escrever a resposta depois e esqueci.

Sem intencao, me alieno de Porto Alegre. Me lembro das primeiras noticias que recebi do sul logo que cheguei e sempre pensava que as decisoes teriam sido diferentes se eu tivesse continuado lá.  Agora me desprendo da responsabilidade de achar que eu podia interferir em tudo. Perco uma influencia que nunca tive. E, assim, viro uma pessoa muito mais livre.

Gira mundo, gira.

ainda na secao “pais”

Setembro 27, 2009

Uma música bacana pra um domingo chuvoso.

no basta – franco de vita

E, pais, voces foram muito alem do só “basta”.

para mis padres S2

Setembro 27, 2009

Tus hijos no son tus hijos
son hijos e hijas de la vida
deseosa de si misma.

No vienen de ti, sino a traves de ti
y aunque estén contigo
no te pertenecen.

Puedes darles tu amor,
pero no tus pensamientos, pues,
ellos tienen sus propios pensamientos.

Puedes abrigar sus cuerpos,
pero no sus almas, porque ellas,
viven en la casa del mañana,
que no puedes visitar
ni siquiera en sueños.

Puedes esforzarte en ser como ellos,
pero no procures hacerlos semejantes a ti
porque la vida no retrocede,
ni se detiene en el ayer.

Tú eres el arco del cual, tus hijos
como flechas vivas son lanzados.

Deja que la inclinacion
en tu mano de arquero
sea para la felicidad.

Kahlil Gibran

Agosto 23, 2009

Nao chegue muito perto. Eu nao posso respirar assim. Eu só quero alguém que de pra chamar na sexta-feira, alguém pra comer uma pizza no domingo e dar umas risadas sobre coisas bobas da vida. Eu despenso gente que queira compreender todo meu ser, gente que procura entender o sentido disso tudo, gente complicada.

Meu pedido é simples. Eu quero uma pessoa normal no ponto. Sacou?

Agosto 23, 2009

Até agora eu estava sendo amável e querida. Esforçando ao máximo para ser a gentileza em pessoa e conquistar muitos fiéis. Mas hoje a noite me dei conta que nao sou Jesus – graças a deus (literalmente)! Entao, foda-se todo o disfarce. Joguei fora o artificial que me dava aparencia de amigável. Ufa! Me sinto muito mais leve sem o peso da hipocrisia.

Agosto 23, 2009

Passou pelo meu caminho como qualquer outro. Tomou um drink, fez perguntas simpáticas, sorriu bastante. Em terra de gente tao feia, pensei: “nao é nada mau”. Outras noites vieram. E o mesmo passou: drinks, perguntas e sorrisos. Quando me dei conta, ali ele estava. Já era parte nao só da vida noturna, como também diária. Hey, hey, hey! Peraí, meu amigo. Tu nao é nada demais. Tu é mais ou menos bonito, mais ou menos legal, mais ou menos inteligente e muito, muito normal. 

Já me enjoei. Quero trocar o qualquer outro pelo qualquer um.

Agosto 14, 2009

Carrego minha mala com poucas coisas: blusao, jeans, camiseta, tenis e pouca expectativa. Deixo meu quarto verde pra dormir depois em algum lugar indeterminado. Procuro nao pensar como estarao as coisas quando eu voltar. Talvez estejam distintas, talvez iguais. Independente da resposta, de principio nao vou entende-las. Porque todo imaginario que tinha que dava sentido a raciocinios locais ja tera mudado. Assim, nao me sentirei pertencente nem de la, nem daqui. Com uma identidade um pouco borrada, sairei do coletivo e serei somente individuo. Serei um pouco de tudo, muito de nada. Ao final, serei eu?