Sorriso bonito. Papo bom. Sabe beijar. Gostei. Acordei no dia seguinte ainda pensando no sorriso. Pronto. Me apaixonei. Passou uma semana. Nos encontramos. Por que ele sempre se veste com marca? Meio materialista. Essa cara de debochado já tá me enchendo o saco. Bebeu demais. Falou merda. Perdeu o charme. Tchau.
gira mundo, gira
Outubro 2, 2009
Através de uma tela de computador ou de um cabo de telefone, tento acompanhar a vida que segue alguns vários quilometros daqui. As vezes consigo equilibrar as duas tarefas: me manter informada sobre os acontecimentos de lá e fazer do estrangeiro minha nova casa. Mas a matemática nao é minha amiga e a divisao acaba sempre mal feita. E me pego surpresa, de tempos em tempos, quando vejo uma foto da minha irma com cara de adolescente já, quando nao acho mais tao ruim minha comida e quando noto que magoei gente naquelas várias vezes que deixei pra escrever a resposta depois e esqueci.
Sem intencao, me alieno de Porto Alegre. Me lembro das primeiras noticias que recebi do sul logo que cheguei e sempre pensava que as decisoes teriam sido diferentes se eu tivesse continuado lá. Agora me desprendo da responsabilidade de achar que eu podia interferir em tudo. Perco uma influencia que nunca tive. E, assim, viro uma pessoa muito mais livre.
Gira mundo, gira.
ainda na secao “pais”
Setembro 27, 2009
Uma música bacana pra um domingo chuvoso.
E, pais, voces foram muito alem do só “basta”.
para mis padres S2
Setembro 27, 2009
Tus hijos no son tus hijos
son hijos e hijas de la vida
deseosa de si misma.
No vienen de ti, sino a traves de ti
y aunque estén contigo
no te pertenecen.
Puedes darles tu amor,
pero no tus pensamientos, pues,
ellos tienen sus propios pensamientos.
Puedes abrigar sus cuerpos,
pero no sus almas, porque ellas,
viven en la casa del mañana,
que no puedes visitar
ni siquiera en sueños.
Puedes esforzarte en ser como ellos,
pero no procures hacerlos semejantes a ti
porque la vida no retrocede,
ni se detiene en el ayer.
Tú eres el arco del cual, tus hijos
como flechas vivas son lanzados.
Deja que la inclinacion
en tu mano de arquero
sea para la felicidad.
Kahlil Gibran
Nao chegue muito perto. Eu nao posso respirar assim. Eu só quero alguém que de pra chamar na sexta-feira, alguém pra comer uma pizza no domingo e dar umas risadas sobre coisas bobas da vida. Eu despenso gente que queira compreender todo meu ser, gente que procura entender o sentido disso tudo, gente complicada.
Meu pedido é simples. Eu quero uma pessoa normal no ponto. Sacou?
Até agora eu estava sendo amável e querida. Esforçando ao máximo para ser a gentileza em pessoa e conquistar muitos fiéis. Mas hoje a noite me dei conta que nao sou Jesus – graças a deus (literalmente)! Entao, foda-se todo o disfarce. Joguei fora o artificial que me dava aparencia de amigável. Ufa! Me sinto muito mais leve sem o peso da hipocrisia.
Passou pelo meu caminho como qualquer outro. Tomou um drink, fez perguntas simpáticas, sorriu bastante. Em terra de gente tao feia, pensei: “nao é nada mau”. Outras noites vieram. E o mesmo passou: drinks, perguntas e sorrisos. Quando me dei conta, ali ele estava. Já era parte nao só da vida noturna, como também diária. Hey, hey, hey! Peraí, meu amigo. Tu nao é nada demais. Tu é mais ou menos bonito, mais ou menos legal, mais ou menos inteligente e muito, muito normal.
Já me enjoei. Quero trocar o qualquer outro pelo qualquer um.
Carrego minha mala com poucas coisas: blusao, jeans, camiseta, tenis e pouca expectativa. Deixo meu quarto verde pra dormir depois em algum lugar indeterminado. Procuro nao pensar como estarao as coisas quando eu voltar. Talvez estejam distintas, talvez iguais. Independente da resposta, de principio nao vou entende-las. Porque todo imaginario que tinha que dava sentido a raciocinios locais ja tera mudado. Assim, nao me sentirei pertencente nem de la, nem daqui. Com uma identidade um pouco borrada, sairei do coletivo e serei somente individuo. Serei um pouco de tudo, muito de nada. Ao final, serei eu?
my way!
Agosto 10, 2009
Sou feita com uma boa dose de egoísmo. Assim como acredito que todos nós somos. Nao me reprimo por antes pensar em mim, depois em ti. Porque o mundo, ao contrário do que as novelas ensinam, é muito maior que um romance. Troco a estabilidade e uma existencia razoalvelmente feliz a dois por muitos momentos de solidao e algumas horas de uma fenomenal alegria. Talvez a matemática nao ajude a justificar minha lógica. Mas nunca fui das exatas mesmo. Abandono o racional – algo tao valorizado na nossa época – e me jogo em qualquer oportunidade em que possa sentir a liberdade que tenho. Acho minhas horas de satisfaçao completa com a vida quando quase estou mudando de ideia. Nao sei se é o caminho certo, mas o certo sempre foi muito mais chato que o errado. E, agora, eu só busco diversao.